

JUVENAL ERNESTO DA SILVA
Aos 34 anos de idade, o Reverendo Juvenal Ernesto da Silva, da Igreja Metodista, foi convocado, pela FEB, para ser Capelão, do Segundo Escalão, da Força Expedicionária Brasileira, no Regimento Sampaio.
Um pouco antes, ele, formado em Letras e Teologia, pelo Instituto de Granbery, em Juiz de Fora-MG, estava fazendo Mestrado em Nashville, EUA. Na época, no Havaí, a base americana de Pearl Harbor, foi atacada pelos japoneses. Em 1942, Juvenal retorna ao Brasil.
Durante a Campanha da FEB, o Capelão fez o seu papel, dando conforto espiritual aos nossos pracinhas. Também lutou, passou fome e frio. Ficou internado no Hospital com duas costelas quebradas.
Promoveu reuniões de oração e batizou soldados. Inclusive, um que foi batizado em Montese, em baixo de uma Oliveira, com a água valiosa de seu cantil, ao som dos bombardeios: foi um batismo por aspersão. inclusive, outros também foram batizados entre os escombros de uma casa, arrasada pelas bombas, mas este foi um trabalho árduo, pois ele encontrou os soldados já espalhados pelo front de guerra.
A presença dos Capelães num confronto armado foi muito necessário, pois vários soldados já estavam desesperados da vida. E como levar a palavra “vida” em um terreno de “morte”? Mas assim o fizeram. O dia-a-dia não foi fácil, pois fazia e recebia ordens de Comandantes, Generais, assim como um soldado Artilheiro. Armava acampamento, construía trincheiras e tudo mais.
Juvenal viu coisas de se partir o coração, como me disse a sua esposa, Cacilda Duarte Ernesto da Silva, em uma certa hora, passou uma italiana, já senhora, com uma perna podre de cavalo nos ombros, dizendo que iria levar para fazer sopa para ela e seus familiares. Ela me contou também que antes do desembarque, os soldados ganharam laranjas adocicadas e ele as guardou. Em uma cidade italiana, resolveu degustar a última laranja que guardara. Ele ouviu um barulho vindo de suas costas, ao se virar, viu dois ou três italianos pegando as cascas do chão, passando a mão no estômago dizendo: – Fome! Muita fome!
Juvenal, sem pensar, foi repartindo a laranja entre os italianos. Foram dias de muita miséria e fome ao povo italiano, mas a FEB esteve lá e conseguiu libertar aquele povo o regime nazi-fascista, e suas atrocidades. Depois da libertação nas cidades em que passava, nossos pracinhas eram recebidos com júbilos, flores e abraços. Foram sim, grandes heróis, inesquecíveis.
Presenciou a guerra em uma forma mais humana, tanto pelos aliados, quanto pelos alemães, onde os conhecera, depois da rendição com batismo, assistência e amizade, como ele mesmo me disse um dia, terminada a guerra, inimigo é irmão.
Essa foi uma pequena história do que todos os soldados e capelães passaram na Itália. Muitas conquistas, como sempre, “lutando a serviço da paz”.
“É preciso mostrar às novas gerações o horror de uma guerra e procurar, mais do que nunca, o espírito de pacificação. E que as novas gerações procurem conhecer os feitos dos nossos pracinhas que participaram da guerra em batalhas memoráveis, em defesa da liberdade. Para isto é preciso que os nossos veteranos, a nossa imprensa, os nossos educadores transmitam esses feitos, baseando-se na verdade. A Nação sobrevive na memória dos seus filhos. Como se diz: ‘Povo sem memória é povo sem história!’” (Capelão Juvenal Ernesto da Silva)
Por Eduardo Galdino da silva!